Em uma região montanhosa de Minas Gerais, onde antes só o café prosperava, videiras carregadas de uvas maduras despontam sob o sol de inverno. Há pouco mais de vinte anos, isso seria impensável. O responsável por essa revolução silenciosa tem nome e sobrenome: Murillo de Albuquerque Regina, agrônomo que ousou desafiar o clima tropical e reinventar o ciclo das videiras no Brasil.
O desafio do clima tropical
- Problema histórico: Tradicionalmente, o Brasil era visto como inadequado para vinhos finos devido ao calor e à umidade, que favorecem doenças fúngicas e diluem a concentração das uvas.
- Ciclo convencional: A poda era feita no inverno, com colheita no verão — justamente o período mais chuvoso e quente.
- A pergunta que moveu Murillo: "Se o problema é a chuva na maturação, como tirar a uva desse período?"
A inovação: dupla poda e inversão do ciclo
- Como funciona: A técnica consiste em realizar duas podas anuais, forçando a videira a produzir cachos fora do ciclo natural — com a colheita acontecendo no inverno seco.
- Vantagens imediatas:
- Menor incidência de doenças fúngicas.
- Uvas mais concentradas em açúcares e compostos fenólicos.
- Maturação mais lenta e equilibrada.
- Impacto: O resultado foi um salto qualitativo perceptível já nas primeiras safras.
"Eu não quis enganar a natureza, mas sim entendê-la melhor. O Brasil tem um clima único — precisávamos de uma solução única."
— Murillo Regina (citação ilustrativa)
Do laboratório ao reconhecimento mundial
- Expansão territorial: A técnica se espalhou por Minas Gerais, São Paulo, Goiás, Bahia e Pernambuco, regiões antes sem tradição vinícola.
- Reconhecimento internacional:
- Rótulos brasileiros passaram a conquistar medalhas em concursos como o Decanter World Wine Awards.
- Vinícolas como Vinícola Terrassos (MG), Vale da Uva (SP) e Casa Verrone (GO) são exemplos de projetos premiados.
- Números que impressionam:
- Mais de 200 projetos de vinhos de inverno já nasceram da técnica.
- O enoturismo nessas regiões cresceu exponencialmente, com roteiros gastronômicos e festivais anuais.
Críticas e controvérsias
- Questionamentos técnicos: Alguns especialistas alertam para possíveis efeitos negativos da dupla poda sobre a longevidade das videiras e o desgaste energético da planta.
- Resposta de Murillo:
"Toda inovação gera dúvidas. Mas a dupla poda respeita o ciclo biológico da planta, apenas o adapta às condições reais do nosso clima." (citação ilustrativa)
- Pesquisas em andamento: Universidades como a UFMG e a ESALQ/USP conduzem estudos sobre a sustentabilidade e os impactos a longo prazo.
Legado e transformação regional
- De cafezais a vinhedos: Cidades como São Roque de Minas, Monte Alegre do Sul e Pirenópolis viram suas economias se diversificarem.
- Identidade nacional: O vinho brasileiro ganhou uma assinatura própria — frescor, mineralidade e complexidade adaptadas ao terroir tropical.
- Enoturismo em alta: Novos roteiros, degustações, festivais e pousadas surgiram, gerando emprego e renda.
O que vem a seguir
- Desafios: Ampliar a exportação, consolidar a reputação internacional e aprimorar técnicas de manejo para garantir a longevidade dos vinhedos.
- Futuro: Murillo segue ativo como consultor e pesquisador, inspirando uma nova geração de enólogos e viticultores.
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