Santa Catarina — O enoturismo ganhou espaço entre as principais atrações turísticas de Santa Catarina nos últimos anos. O número de vinícolas no estado cresceu 29% em um período de seis anos, impulsionado pelo aumento da procura por degustações, visitas guiadas, hospedagens e experiências ligadas à produção de vinhos.
O avanço, porém, não ocorre de forma equilibrada. Enquanto vinícolas estruturadas ampliam os serviços oferecidos aos visitantes, pequenos produtores enfrentam dificuldades para acompanhar o ritmo de investimentos exigido pelo mercado. A criação de espaços para recepção, restaurantes, lojas, áreas de degustação e atividades de lazer eleva os custos de operação e manutenção.
Para os empreendimentos de menor porte, transformar a propriedade em um destino turístico exige mais do que produzir vinhos. É necessário investir em infraestrutura, treinamento de equipes, divulgação, acessibilidade, segurança e atendimento ao público. Em muitos casos, os recursos disponíveis são limitados e a produção permanece concentrada na própria família.
A expansão do enoturismo também ocorre em um cenário de maior concorrência. Com o crescimento do número de vinícolas, os visitantes passaram a buscar experiências diferenciadas, que combinem qualidade dos produtos, gastronomia, paisagens e contato com as etapas de elaboração da bebida.
Em regiões tradicionais da vitivinicultura catarinense, como a Serra, o Meio-Oeste e o Planalto Sul, a atividade passou a integrar roteiros turísticos e a movimentar restaurantes, hotéis, pousadas, transportadoras e comércios locais. O setor contribui para diversificar a economia regional e ampliar a permanência dos turistas nos municípios produtores.
Apesar dos obstáculos, pequenos produtores avaliam que o enoturismo pode representar uma fonte importante de receita e ajudar a aproximar o consumidor da marca. A venda direta na propriedade, por exemplo, permite maior margem de retorno e cria uma relação mais próxima com o público.
O desafio está em encontrar um modelo viável de crescimento. Sem apoio técnico, crédito adequado e políticas de incentivo, parte dos produtores pode ficar limitada à comercialização das garrafas, enquanto o mercado turístico se concentra em empreendimentos com maior capacidade de investimento.
A consolidação de Santa Catarina como destino de enoturismo dependerá, portanto, não apenas do aumento do número de vinícolas, mas também da inclusão dos pequenos produtores nessa cadeia. A expansão do setor poderá ser mais sustentável se vier acompanhada de capacitação, divulgação conjunta e ações que reduzam os custos de adaptação das propriedades para receber visitantes.