
Existe uma profunda distinção entre os termos Reserva e Reservado! Enquanto um denota qualidade, o outro é utilizado para vinhos mais simples, de baixa complexidade de produção. Para deixar o cenário ainda mais confuso, cada país produtor tem suas próprias regras de denominação dentro desses termos.
Que tal descomplicar um pouco esse assunto? Abaixo, vamos te explicar as principais diferenças entre os termos Reserva e Reservado!
Antes de mais nada, é preciso reforçar o que citamos anteriormente: o emprego do termo Reserva varia conforme o país e a região produtora! Em Piemonte, por exemplo, na Itália, um vinho só é classificado como Riserva se ele tiver, necessariamente, cinco anos de envelhecimento da bebida com no mínimo 36 meses em barricas de carvalho. Então, fazendo as contas, podemos perceber que um vinho da safra 2020 de Piemonte só estará disponível no mercado com o selo Riserva em 2025!
No mesmo país, só que em outra região, a regra já é outra. Em Chianti, que fica na Toscana, também na Itália, um Riserva necessita de um envelhecimento menor, de 27 meses, e uma graduação alcoólica mínima de 12,5%.
Na Espanha, a legislação do país regula que o termo Reserva só pode ser utilizado em vinhos com no mínimo três anos de descanso - sendo o primeiro em barril de madeira e os dois seguintes na própria garrafa. Já os Gran Reserva espanhóis descansam, no mínimo, cinco anos, sendo dois em barris de carvalho. Essa regra se aplica a vinho tintos da Espanha, pois a regra para brancos e rosés é diferente: nesses casos, o período de envelhecimento é de pelo menos dois anos - sendo seis meses em barris.
No país ao lado, em Portugal, as denominações como Reserva ou Reserva Especial não têm determinações nas leis. Porém, quando os produtores decidem utilizar esses termos nos rótulos, pode ter certeza: são bebidas diferenciadas! Na França, a regra é parecida: se as denominações Cuvée e Reserve aparecerem, é sinal de que a bebida é superior ou o lote é especial.

No chamado Novo Mundo, que contempla especialmente as Américas e a Oceania, não existe uma regulamentação clara referente ao uso do termo Reserva. O que existe é um entendimento geral que a denominação só deve ser aplicada para vinhos que passaram por tempo de estágio em madeira - sendo o Gran Reserva um tempo ainda mais amplo.
O problema, claro, é que sem uma legislação específica, uma vinícola pode tratar o termo Reserva de uma forma completamente diferente do que outra, mesmo estando na mesma região e no mesmo país. Além disso, é possível encontrar no mercado, por exemplo, um Gran Reserva argentino com menos tempo em barril de madeira do que um Reserva espanhol, visto que lá existe uma regra específica para o termo.
Ao contrário de Reserva, que denota complexidade, o termo Reservado é utilizado para vinhos simples. Essa expressão é muito utilizada especialmente no Chile e indica exemplares frutados, sem estágio em barricas de madeira. São os "vinhos de entrada", ou seja, os rótulos mais baratos de cada vinícola.
Em linhas gerais, portanto, podemos dizer classificar os vinhos assim: os exemplares mais simples de cada vinícola são da categoria Reservado. Na sequência, conforme aumenta a complexidade dos rótulos, surgem os vinhos varietal, depois os Reserva, Reserva Especial, Gran Reserva, edição limitada, entre outros.
A classificação dos vinhos Reservados pode induzir o consumidor ao erro. Como muitas pessoas relacionam – corretamente - o termo Reserva à qualidade e à complexidade, pode existir uma confusão ao visualizar um rótulo com a expressão Reservado.
Lembre-se que os vinhos Reservados, por serem de entrada, são consequentemente os mais baratos e simples. Como não há nenhuma regra sobre essa denominação, qualquer vinho pode ser chamado assim no Novo Mundo. O termo Reservado, infelizmente, pode ser uma armadilha para os leigos que buscam qualidade e complexidade. Na hora da compra, portanto, fique atento!

Agora que você já sabe a diferença entre Reserva e Reservado, com certeza percebeu a importância de ler e identificar as informações que acompanham os rótulos do vinho, certo?
Além de descobrir a interpretação de cada dado, esse conhecimento traz vantagens para o consumidor, que pode começar a entender mais sobre quais são os aspectos da bebida que mais o agradam, facilitando na hora de fazer escolhas diante da enorme variedade disponível no mercado.
Antes de começar a interpretar os rótulos de vinho, é importante saber que, como padrão, as garrafas trazem um rótulo e um contrarrótulo. O rótulo mostra as informações principais, como nome, produtor, tipo e variedade de uva. Já o contrarrótulo carrega mais detalhes sobre a bebida, como elementos da sua composição, local de elaboração e entre outros.
Na categoria “tipo”, presente no rótulo, você pode esperar encontrar referências que vão apontar características como:
- A classificação do vinho: branco, espumante, rosé, tinto, etc.;
- O nível de dulçor: suave, seco ou demi-sec. No caso do espumante, você encontra outros níveis como brut, extra-brut, sec, demi-sec, moscatel e nature;
- O método de elaboração: informação relevante para os espumantes, que podem ser feitos pelo método Tradicional ou Charmat.
Já no item “variedade de uva”, você pode encontrar referências a uvas como Pinot Noir, Merlot, Marselan e Tannat.

Vale lembrar que os vinhos elaborados apenas com uma variedade de uva são chamados de Varietais, enquanto as que mesclam diferentes tipos são identificadas como Blent, Assemblage ou Corte — e isso virá descrito no rótulo.
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