
A Itália em uma carta de vinhos: uma viagem pela adega do Piccini Cucina
Na efervescente cena gastronômica paulistana, poucos endereços conseguem unir tradição e inovação com tanta personalidade quanto o Piccini Cucina. Inspirado nas tavernas da Toscana, o restaurante inaugurado em 2021 na rua Vitório Fasano rapidamente se tornou referência não apenas pela cozinha italiana reinterpretada em pratos como gnocchis e tagliolinis, mas também por sua adega — reconhecida em 2024 pela revista Prazeres da Mesa como a melhor carta de vinhos italianos do Brasil.
O sommelier Luciano Silva, guardião das garrafas que circulam pelo salão, revela que a seleção vai muito além dos rótulos consagrados. A proposta é oferecer uma verdadeira viagem pela Itália, passando por regiões como Piemonte, Veneto e Sicília, cada uma com suas particularidades e histórias engarrafadas. Assim, cada taça se torna uma narrativa que acompanha a experiência gastronômica, transformando o jantar em um mergulho cultural.
Mais do que um restaurante, o Piccini Cucina se consolida como destino para quem busca compreender a riqueza da enologia italiana em São Paulo. Uma carta de vinhos que não apenas acompanha os pratos, mas que se impõe como protagonista, convidando o público a explorar sabores, aromas e tradições que atravessam séculos.
Há algo de saborosamente específico em um título de melhor carta de vinhos italianos. No entanto, foi essa a conquista que o Piccini Cucina recebeu, com bastante mérito aliás, da revista Prazeres da Mesa em 2024.
Piccini Cucina
Inaugurado em maio de 2021 na rua Vitório Fasano, o endereço logo tornou-se referência em releituras da cozinha italiana em variados sabores e composições. Mas no salão, entre o ballet de gnocchis e tagliolinis, garrafas e taças circulam por quase todas as mesas.
Trata-se, afinal, de uma seleção altamente especializada, realizada cuidadosamente pelo sommelier Luciano Silva. E, ainda que não tão instagramável quanto o spaghetti alla carbonara ou outras criações do chef William Torate, a adega divide um protagonismo silencioso – em grande medida devido à alta especialidade dos rótulos oferecidos.
Do Piemonte à Campânia, passando por rótulos da Sicília e com predileção nada discreta pela Toscana, a carta cumpre o objetivo de expressar a diversidade da viticultura italiana. Hoje, com aproximadamente de 70% da seleção de 150 exemplares do endereço. Ao Seu Dinheiro, Silva defende que o objetivo da adega é dialogar com a cozinha. Mas de frente com a carta de vinhos, fica fácil desconfiar do contrário.
Piccini Cucina
Na prática, isso aparece com a presença de clássicos como o Brunello di Montalcino da Camigliano (R$ 1.546), feito 100% com uvas Sangiovese, e de exemplares mais inovadores, como o Vinho Forte Ambrone Rosso (R$ 218), com Merlot, Sangiovese e Syrah
"Mais do que reunir grandes vinhos italianos, buscamos criar uma seleção coerente, equilibrada e capaz de traduzir a essência da culinária italiana em cada taça", defende Luciano.
Falando sobre opções surpreendentes, o sommelier destaca os brancos italianos, como os elaborados com as uvas Vernaccia, Cortese, Greco e Falanghina. São justamente os que ele gostaria de ver mais presente nas mesas dos clientes.
"Dois grandes destaques são a Vernaccia di San Gimignano (R$ 349), da Toscana, que impressiona pela elegância e frescor, e o Gavi (Palás Michele Chiarlo, R$ 346), elaborado com a uva Cortese, do Piemonte. É um vinho refinado, equilibrado e muito versátil, que costuma conquistar até quem ainda não conhece os grandes brancos italianos."
Ainda assim, convidado a revelar o segredo escondido de sua carta, Luciano elege o Rosso di Montalcino La Togata (R$ 316). "É um vinho que entrega muito mais do que seu preço sugere, reunindo elegância, equilíbrio e excelente qualidade. Costumo indicá-lo porque é um rótulo muito elogiado pelos clientes e representa uma das melhores relações entre custo e benefício da nossa seleção."
Piccini Cucina
Para além dos Alpes e Apeninos, a adega do Piccini também contempla exemplares de outros países com a mesma dedicação. Chile, Argentina, Portugal e Espanha possuem bons rótulos listados. Para Luciano, no entanto, os franceses ocupam lugar especial na adega:
"São referências mundiais em qualidade e tradição", diz o sommelier. Destaques se estendem desde um clássico Moët Chandon Brut (R$ 895) até um nada modesto Bordeaux Château Latife Rothschild, de R$ 19.460.
Ainda que em menor volume, é possível também pedir um Chardonnay californiano Marimar Estate La Masia (R$ 720), do vale do Russian River, ou o ótimo Nobody's Hero Sauvignon Blanc (R$ 302) da vinícola Framingham, de Marlborough na Nova Zelândia.
O Brasil também está contemplado, seja com o espumante Victoria Geisse (R$ 298), de Pinto Bandeira, com o Chardonnay Don Abel Reserva (R$ 203) e com o Tannat Don Abel Premium (R$ 274), também da Serra Gaúcha. "Acreditamos que eles merecem um lugar de destaque, representando muito bem a evolução da vitivinicultura nacional" diz Luciano.
Barolo Falletto Vigna Le Rocche Riserva Falletto
Barbaresco Palás, de Michele Chiarlo
Amarone della Valpolicella Classico
Brunello Di Montalcino, DOCG, Camigliano
Taurasi Vesevo Limited Release
De imediato, qualquer observação pelo salão do Piccini revela uma obsessão do cliente pelo spaghetti alla carbonara (R$ 124). Muito justo: montado em formato de torre com uma gema no topo, o prato desperta paladares para além da rede social.
Spaghetti alla Carbonara do Piccini Cucina
No entanto, é claro que as criações do chef William Torate vão além do clássico romano. E brilham em pontos inesperados, como o saboroso arancini all'amantriciana (R$ 59), recheado com ragu de pancetta, pecorino e salsa. Ou ainda no ravioli d'anatra (R$ 138), recheado com pato desfiado ao molho de tangerina – um ponto alto do cardápio ao qual a rede social talvez não faça jus.

Abaixo, o sommelier Luciano indica três harmonizações ideais para a carta do Piccini.:
Carpaccio di Pulpo do Piccini Cucina
Piccini Cucina: R. Vitório Fasano, 49 - Jardim Paulista, São Paulo.
Mín. 20° Máx. 27°